Paulo Roberto Gomes Fernandes contextualiza que a intensificação recente das relações econômicas entre Brasil e Emirados Árabes Unidos ganhou um marco concreto com a realização de um fórum empresarial em São Paulo, em outubro de 2024, voltado à geração de parcerias e investimentos bilaterais. Em 2026, o encontro ainda é citado porque evidencia uma mudança de postura: em vez de conversas genéricas sobre cooperação, a pauta passou a se concentrar em modelos de negócio, estrutura de capital e setores com projetos executáveis, onde a confiança institucional pesa tanto quanto a oportunidade.
O evento, conhecido como UAE Global Business Forum, reuniu lideranças empresariais e representantes institucionais com o objetivo de aproximar decisões de investimento e ampliar a previsibilidade nas relações comerciais. A presença de autoridades e empresas de diferentes áreas reforçou a natureza multifuncional da agenda, que combina infraestrutura, energia, logística, tecnologia e serviços, com espaço para alianças técnicas e negociações de médio e longo prazo.
Arquitetura institucional e a sinalização de estabilidade para investidores
Um fórum desse porte tende a produzir efeito quando demonstra alinhamento entre instâncias públicas e privadas. A organização conjunta por entidades ligadas aos Emirados, com apoio de órgãos brasileiros, indica esforço de criar um ambiente de negócios mais organizado, no qual investidores consigam avaliar riscos, compreender regras e acelerar conversas com tomadores de decisão.
Quando há clareza institucional, empresas conseguem planejar com mais segurança: definem estrutura societária, etapas de entrada, responsabilidades e prazos. Por consequência, o fórum funciona como um mecanismo de coordenação, pois concentra atores relevantes em um mesmo espaço, permitindo que agendas setoriais avancem para discussões objetivas, com compromissos, encaminhamentos e triagem de oportunidades.
Lógica de complementaridade entre os mercados
A delegação empresarial dos Emirados reuniu interesses em energia, finanças, logística, aviação, inovação e outros segmentos, enquanto o lado brasileiro apresentou um recorte igualmente amplo, com entidades representativas e companhias de grande porte. Esse desenho é relevante porque a cooperação bilateral depende de complementaridade: capital e estratégia de internacionalização de um lado, projetos, escala produtiva e capacidade técnica do outro. Paulo Roberto Gomes Fernandes interpreta que a diversidade aumenta a chance de conexões “cruzadas”, em que uma conversa sobre logística abre caminho para infraestrutura, e uma pauta de energia se conecta à tecnologia e engenharia aplicada.

A participação de empresas brasileiras de engenharia e soluções industriais sinaliza que a agenda não se limita a comércio. Ela inclui capacidade de execução, o que costuma atrair interesse quando fundos, grupos privados e empresas estatais buscam projetos com horizonte de retorno claro e governança definida.
Oportunidades para a engenharia
A pauta do encontro privilegiou investimentos estratégicos e cooperação em setores prioritários, com ênfase em iniciativas de longo prazo. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, a presença de agentes com apetite por projetos estruturantes é um indicador importante, pois abre espaço para combinações de capital, tecnologia e execução.
Para empresas brasileiras, esse tipo de ambiente pode ampliar alternativas de financiamento e acelerar portas de entrada em novos mercados. Ainda assim, o ganho depende de preparo: apresentar propostas com escopo definido, riscos mapeados, exigências regulatórias identificadas e uma narrativa técnica que seja compatível com padrões internacionais de governança e compliance.
O que o fórum projeta para 2026
A escolha de São Paulo reforçou o papel da cidade como centro de decisão econômica, capaz de reunir instituições financeiras, sedes corporativas e infraestrutura para reuniões empresariais em sequência. Isso importa porque fóruns se tornam efetivos quando a agenda institucional se converte rapidamente em encontros de negociação, com continuidade após o evento. Paulo Roberto Gomes Fernandes avalia que a localização favorece esse encadeamento, pois permite avançar de apresentações gerais para conversas específicas, com maior probabilidade de maturar projetos.
Em 2026, a leitura é que o fórum integra um movimento mais amplo de aproximação entre Brasil e Emirados Árabes Unidos, com tendência de continuidade e aumento de densidade nas negociações. Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que a relevância do encontro está no caráter pragmático: criar ambiente, aproximar decisores e organizar oportunidades em torno de projetos que exijam capital, engenharia e visão de longo prazo, sem depender de ciclos pontuais de entusiasmo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
